Sou a concretização da imigração. Meu sangue é imigrante, bem como meu corpo e alma. Tataraneta de indígenas brasileiros e espanhóis, bisneta de italianos e neta de portugueses, nascida e crescida no Brasil, moradora do Egito. Esta sou eu. Alguém que nasceu de caminhos e escolhas imigrantes, de pessoas que vieram do além mar para construir suas vidas no Brasil.
Cresci em um ambiente - que hoje entendo como - multicultural. Fui exposta a muitas tradições, línguas e culturas. A música em casa era em espanhol, uma avó xingava em italiano, enquanto a outra cozinhava o típico bacalhau para a véspera de Natal. O que sou é resultado da imigração, motivo pelo qual sempre me interessei pela causa e aos 21 anos decidi dedicar parte do meu tempo ao trabalho voluntário com imigrantes e refugiados. Eles também são a materialização da imigração.
Aprendi muito. Vivi outras histórias, dancei outros ritmos, aprendi outras línguas, celebrei feriados de outras religiões... Até que me tornei migrante em 2018. Estas pedras e conchas foram coletadas ao longo de todas essas jornadas.
Elas não possuem nenhum valor comercial, não foram compradas. Foram coletadas por aí, são migrantes. Carregam muita história, como eu. São pedras vulcânicas, de diferentes desertos, são conchas e corais de diferentes mares e oceanos. Algumas são presentes, outras (a maioria) escolhidas por mim mesma. São parte de mim.
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Descrição da Imagem
Duas fotos onde pedras diversificadas estão organizadas sobre uma superfície branca. Na primeira foto há a inscrição "Coleção do Brasil" e algumas pedras vulcânicas de diferentes tamanhos, formatos e cores. Na segunda foto há a inscrição "Coleção do Egito" e uma vasta variedade de pedras, conchas e corais de diversos tamanhos e cores.
Doador
Natália de Freitas
Percurso
Brasileira, nasceu em 1994 e vive no Egito desde 2018. É descendente de imigrantes de várias nacionalidades: espanhóis, italianos, portugueses. Convivendo com as diversidades culturais desde a infância, aos 21 anos decide dedicar parte do seu tempo ao trabalho voluntário com imigrantes e refugiados, na Bibli-ASPA, Centro de Cultura e Pesquisa. Em 2018, muda-se para o Egito para estudar a cultura local. É geógrafa e coleciona pedras que recolhe em seus próprios deslocamentos.
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