Narrativa
Sempre me recordo da minha mãe no sofá da sala, assistindo a um filme ou novela e tecendo as linhas coloridas. As linhas que tomavam a forma de uma blusa nova, uma meia para aquecer os pés no inverno, um cachecol para dar de presente e assim os novelos iam se acabando e sendo novos comprados. Linhas coloridas que se transformavam nos vestidos de festa, longos que me acompanharam nas festas de minha juventude. Com a linha branca foi tecido o meu vestido da minha formatura, leve, lindo que foi elogiado até pela madre superiora do colégio católico que eu estudava. E minha mãe com sorrisos no rosto, mostrando o orgulho do trabalho reconhecido. Foi ela que teceu o meu vestido de noiva. Linha branca e amarelo clarinho nos detalhes, que enfiava num saco branco de farinha e corria esconder sempre que meu noivo vinha me visitar. Dá azar o noivo ver o vestido antes do casamento. Quando se foi, deixou as agulhas para trás e eu as recolhi para tecer novas histórias para minhas filhas e netos.