Narrativa
Das memórias mais remotas, dos afetos mais antigos, o presente de meu tio-avô Zezé. Eu miúdo no quintal, maravilhado com a copa esplendorosa da mangueira. Trepei, a despeito do cheiro nauseabundo das mangas ainda verdes – sempre adorei as mangueiras, sempre odiei os frutos. O portãozinho ripado para a rua, as aléias de verduras escuras, à venda. No casebre o chispar do fogão à lenha, achegar-me deslumbrado, olhos em zigue-zague nas caraminholas da estante – escolha uma. Deve ter havido uma instrução de uso para a carretilha, que geringonça fantástica! Linha e o papagaio, já não me recordo da primeira assistência. Quantos não foram os batismos? Quantos açoites de vento, quanta energia motriz. Vila Nova, Mantena, Minas Gerais.