Eu lembro do dia que ela se foi como se fosse ontem. Sou sortuda por dizer que nunca precisei lidar muito com o luto. Perdi poucos familiares e pessoas queridas. A Minnie, a Yorkshire que eu ganhei aos 5 anos de idade está em todas as minhas fotos, memórias e eventos. Fomos melhores amigas. Minnie me amava incondicionalmente. Também tive poucos reveses de saúde mas os que tive, Minnie se prostrava fielmente ao meu lado. Dava beijos, mandava olhares, dançava as orelhas numa tentativa de se fazer entender. Eu a entendia, sempre. Durante a noite, poucas eram aquelas que eu passava sem levantar pra dar um beijo na Minnie. Eu amava o cheiro que vinha das patinhas velhas dela e do focinho hidratado. Quando ela envelheceu, ouso a dizer que até amava o bafinho de cachorro. Tenho memórias intactas de todos os cheiros da minha cachorrinha, todas as texturas, todas nossas comunicações não verbais. Ela foi meu melhor presente e eu a amei incondicionalmente, sempre sabendo que a recíproca era válida. Foi difícil ver ela indo embora mas eu tive muita sorte: minha melhor amiga viveu quase 17 anos. 17 anos ativos, de muitos "lambeijos", muitos lanchinhos divididos e sonecas juntas. Antes dela partir, eu a carimbei. Na verdade, eu já havia a carimbado desde o dia que chegou; ela é parte de mim. Mas agora eu guardo no papel a última pegada de Minnie, minutos antes de ela ir andar no céu. Toda minha família sabe da importância da caixa onde guardo esse papel. Eu ainda vou transformar Minnie em arte, como ela foi.
Descrição da Imagem
Papel branco com a marcação por carimbo de uma pata de cachorro. Possui duas marcações.