Narrativa
Ela dizia que era igual ao da Hilda Furação. Ficou comigo depois que ela se foi. É um pedaço bonito dela que ainda vive em mim. Penso em todas as canções que ela escutou, em todas as histórias... Deitada na rede, se balançando, achando graça... O nome dela era Izaura. Izaura Moura. Ela dizia que era um nome sofrido. O nome carregava uma dor. A dor de ser mulher. O olhar dela falava muita coisa. Eu não entendia, mas falava. Ela guardava o mundo naquele olhar. O rádio de pilha não funciona mais. Não ligo. Mas a Izaura Moura permanece intacta aqui: tão brutal amor que eu não consigo esquecer. Habita agora em todos os lugares da casa. No canto bonito que eu imagino saindo do rádio.