Este par de "patins de dedo" foi o mais próximo que cheguei de ganhar patins de verdade na minha vida até então. Foi presente de aniversário, dado por uma amiga. Eu tinha 14 anos. Pertence a um tempo em que o "skate de dedo" ainda era febre no ano 2000 entre a molecada e havia até competição em programas infantis de TV. Lembro que, como presente de aniversário, pedi um par de patins para minha mãe. Relutante, ela aceitou a ideia. Chamei um amigo que possuía patins para me guiar na busca dos meus. A adolescência: idade difícil, repleta de indecisões, descobertas, crises, paixões e sentimentos líquidos. Saí da loja, não com o tão sonhado par de patins, mas com um lindo patinete prateado. Um dia o patinete passou. Os "patins de dedo" ficaram guardados como um pedaço da memória de um adolescente cheio de sonhos e vontades, mas que não se dava conta de que nem sempre a vida nos dá o que queremos, pelo contrário, nos dá o que precisamos para aprender a viver. Talvez um dia eu me dê patins. Por hora guardo os que tenho com afeto e sempre que posso, pego-os e calço com os dedos, claro. E me perco num passado que não morreu.
Descrição de Imagem
Par de patins de dedos, composto por botas na cor preta e rodinhas na cor vermelha.