{"id":6660,"date":"2024-10-17T20:33:35","date_gmt":"2024-10-17T23:33:35","guid":{"rendered":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/?post_type=tnc_col_5867_item&#038;p=6660"},"modified":"2024-10-17T20:33:35","modified_gmt":"2024-10-17T23:33:35","slug":"telefone-sem-fio-sem-fofoca","status":"publish","type":"tnc_col_5867_item","link":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/trecos-trocos-e-coisas\/telefone-sem-fio-sem-fofoca\/","title":{"rendered":"Telefone sem fio sem fofoca"},"content":{"rendered":"<p>O primeiro telefone sem fio foi patenteado em 1901 em no Brasil e em 1904 nos Estados Unidos, pa\u00eds cuja influ\u00eancia e refer\u00eancia cultural \u00e9 indiscut\u00edvel em terras brasileiras, embora n\u00e3o coincida. Por qu\u00ea, de alguma forma, um pa\u00eds inferior esteve \u00e0 frente no processo de de desenvolvimento de comunica\u00e7\u00e3o a dist\u00e2ncia? O aparelho foi desenvolvido por um padre brasileiro. N\u00e3o me recordo o nome, mas, acho que com esse fato  osso contextualizar o que tenho a simbolizar: o calor da comunica\u00e7\u00e3o, que n\u00f3s, brasileiros, temos necessidade. Seja com abra\u00e7o, aperto de m\u00e3o ou um grito seguido de um aceno na rua, voc\u00ea tem necessidade de se comunicar e expressar pro seu amigo que v\u00ea todos os dias, ou raramente. Isso est\u00e1 no nosso sangue, na nossa cultura. Quando morava em Nova Igua\u00e7u, cidade da baixada do Rio de Janeiro, todos os dias de manh\u00e3 eu chegava no meu quintal para estender roupa e ouvia a vizinha contando, gargalhando e aos berros no telefone. Parecia estar em uma anedota intermin\u00e1vel. Hist\u00f3ria atr\u00e1s de hist\u00f3ria, \u00e0s vezes eu fazia minhas tarefas na calma pra ficar mais tempo ouvindo a hist\u00f3ria, a velha sabia se posicionar e contar detalhadamente os fatos, uma cronista de telefone. Me fazia viajar nas fofocas que narrava, melhor que novela. Pergunto-me se era um telefone sem fio, mas eu imagino que fosse, ela parecia estar sentada na varanda e ningu\u00e9m deixa o telefone na varanda. Com certeza era telefone sem fio, pensando bem. Aqueles que fazem &#8220;piiimm&#8221;, quando voc\u00ea aperta o bot\u00e3o de desligar e o coloca no gancho novamente. &#8211; Espera, aquilo ainda \u00e9 chamado de gancho? Eu tenho um telefone sem fio, ganhei ele em 2017, o que \u00e9 muito desatualizado pra \u00e9poca. Foi uma heran\u00e7a da minha av\u00f3 paterna que tamb\u00e9m adorava uma anedota &#8211; fofoca &#8211; ao telefone. Em 2017, minha av\u00f3 descobriu um c\u00e2ncer muito desenvolvido que se espalhou por todos os ossos. Quando ganhei, vieram uns fios, uma caixinha de encaixar o telefone sem fio, e o telefone em si. Nunca usei. Guardei os fios e usei a caixinha e o telefone como enfeite em uma prateleira do meu quarto. Com o tempo, comprei um guarda-roupa maior e joguei tudo que ficava na prateleira no guarda-roupa. Da\u00ed, esses dias, estava procurando uma coisa e o telefone e seu suporte ca\u00edram! E o suporte quebrou! Fiquei triste, lembrei de todo o significado e pensei em como comunica\u00e7\u00f5es s\u00e3o rompidas com a nossa neglig\u00eancia, com o nosso desleixo. Antigamente, eu zelava por aquele enfeite, limpava, lustrava, brilhando e exposto. Se perguntassem, era heran\u00e7a da v\u00f3,  depois, ignorei. \u00c9 s\u00f3 um telefone sem fio, mas \u00e9 o aparelho que une mentes separadas h\u00e1 quil\u00f4metros. Como nossos celulares, com redes sociais, onde encontramos e desencontramos pessoas. A gente briga mais pelas teclas do que riria por telefone sem fio&#8230; Os jovens telas trincadas e os telefones sem fio sem fofocas nos isolam do calor da comunica\u00e7\u00e3o, que, hoje, em meio \u00e0 uma pandemia frienta, deveria nos aquecer.<\/p>\n","protected":false},"featured_media":6661,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","format":"standard","class_list":["post-6660","tnc_col_5867_item","type-tnc_col_5867_item","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","tnc_tax_5843-garagem","tnc_tax_5790-antiguidade","tnc_tax_5-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_5867_item\/6660"}],"collection":[{"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_5867_item"}],"about":[{"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/tnc_col_5867_item"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6660"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/tnc_col_5867_item\/6660\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6661"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/museudascoisasbanais.com.br\/acervo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6660"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}